sábado, 8 de setembro de 2012

A acessibilidade e o transporte público


Sangrando!

3º parte

Moacyr Luna e Nena Luna

“Quando eu soltar a minha voz, por favor, entenda
que palavra por palavra eis aqui uma pessoa se entregando, coração na boca peito aberto, vou sangrando, são as lutas dessa nossa vida que eu estou cantando. Quando eu abrir minha garganta essa força tanta, tudo que você ouvir esteja certo que estarei, vivendo, veja o brilho dos meus olhos e o tremor em minhas mãos, E o meu corpo tão suado, transbordando toda a raça e emoção, e se eu chorar e o sal molhar o meu sorriso não se espante, cante que o teu canto é a minha força pra cantar. Quando eu soltar a minha voz, por favor, entenda é apenas o meu jeito de viver o que é amar!”

  – trecho da música “Sangrando” de Luiz Gonzaga Junior – Gonzaguinha.

Será que nos preocupamos com o bem estar das pessoas que necessitam de acessibilidade em coletivos de todas as formas? Ou fazemos como muitos, somos indiferentes porque não nos cabe nos envolver em situações que não nos diz respeito?  É mais ou menos por aí. Temos tendência a não dar importância a tudo ou alguma situação que de alguma forma não nos atinge.

É importante entender que existem pessoas que se machucam e até com certa gravidade, por falta de lugares adequados o suficiente, ou seja: percebemos que em vários  coletivos públicos existem tal  acomodações  mas em  numero  insuficiente para pessoas   que dependem  delas    para confortavelmente concluir sua trajetória  do embarque ao  desembarque.

É visível o número de pessoas, portadores de necessidades especiais, que conquistou o direito constitucional e o sonho de liberdade de “ir e vir”. Com o advento das Leis e campanhas de inclusão dos portadores, da Lei da gratuidade no transporte público, com uma frota de veículos em quase sua totalidade, , a grande massa que vivia exilada em seus lares, resolveu ganhar ruas, praças, avenidas, shoppings e até parques antes proibitivos e agora liberados para felicidade geral da nação. “Estamos refazendo e renomeando uma antiga Lei: A do ventre livre, que em sua versão século XXI, se transforma no do acesso livre em todas às suas variações”.

Esta população, antes restrita ao “conforto” do incomodo do trinômio, quarto, sala, terraço que mais parecia uma prisão, de repente da uma guinada de 360° e vira a gaivota personagem título do livro * “Fernão Capelo Gaivota” cujo lema era * “ver mais longe quem voa mais alto”. É assim como se sente atualmente o portador de necessidades especiais livre, leve e solto para alçar voo, onde para ele, o céu é o limite.

O que nos falta? Não queremos apenas não ter o direito à inclusão, garantido nos Tribunais de Pequenas Causas ou outros, mais que ele sinta-se realmente incluso, estudando, trabalhando e pagando impostos porque o seu CPF é igual ao de qualquer cidadão brasileiro. O Brasil tem o melhor Código de Defesa do Consumidor do mundo, que é diariamente desrespeitado duplamente, em sua essência e pela não fiscalização dele pelo poder público.

Queremos sim, inclusão 100%. Temos às leis que nos defendem e amparam, apenas falta a muitos de nós, entender que o mundo agora é meu, e seu, é nosso, enfim o direito é de todos e garantido por lei, vamos repetir aqui a opinião do blog, “a inclusão não é especifica ao portador, a inclusão é para todos”. Imagine se todos às placas indicativas com nomes das ruas fossem removidas? Seria o princípio do fim, a moderna civilização voltaria ao início. Simplesmente ao caos.

Não queremos aqui, fazermos juízo final de tal assunto, porém fica para nós sempre a interrogação quando se trata de um assunto que mesmo simples é muito polêmico o que, não deveria por que, já constatamos que o numero de pessoas portadoras, em seus mais variados diagnósticos, ultrapassa em muito o numero que pensávamos ser e vai além do cada um nós possa imaginar.

“As dificuldades de acesso existem pela falta absoluta de um desejo público e político dos órgãos competentes”.

Garanto-lhes, se houvesse mais um pouco de boa vontade e bom  senso,  com muita certeza o blog não estaria aqui reivindicando o obvio!

 (*) Fernão Capelo Gaivota é um romance de Richard Bach, publicado em 1970. Publicado originalmente nos Estados Unidos com o título de "Jonathan Livingston Seagull — a story", foi lançado neste mesmo ano no Brasil como "A História de Fernão Capelo Gaivota" pela editora Nórdica.

Contatos:

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