CBTU, METROREC – UM DESABAFO
Moacyr Luna
Como portador de deficiência física, vi meus direitos de cidadão resguardados na Lei da Acessibilidade, jogados no lixo. Tenho a carteira de Livre Acesso e faço uso de bengala para ajudar em minha locomoção. No dia 29.140.12, acompanhei minha esposa operada na mão direita ao escritório do INPS bairro da Boa Vista, nesta cidade. A mesma usava aparelho ortopédico recomendado pelo cirurgião que a operou.
O meio mais prático de transporte é utilizar o metro. Sempre que o utilizo o metro, utilizava o acesso pela plataforma de embarque, assim quando do desembarque de passageiros, entrava no trem sem maiores atropelos. Neste dia – 29.10.12 – fomos surpreendidos na entrada da rampa de acesso ao embarque de passageiros, não só eu, mães com filhos deficientes para ir a AACD, cadeirantes, idosos e gestantes fomos todos orientados por dois vigilantes (não os policiais Ferroviários Federais) e sim de empresa terceirizada, a nos dirigir a plataforma normal, ali, nosso acesso não era mais permitido.
Quem já utilizou o metro em qualquer região do Brasil ou viu imagens de embarque deve imaginar o que é ter acesso a um vagão de metro. Às pessoas tem um comportamento de bárbaros, não se respeita nada, gestantes, idosos, mãe com recém-nascidos ou portadores de necessidades especiais.
Um vagão do metro tem capacidade para setenta passageiros – os vagões centrais – os das extremidades – sessenta. Cada vagão dispõe de “dois” lugares para acessíveis quando um ônibus de “seis”.
Quem está errado. Nós ou o sistema? Quem rasgou a Lei? A CBTU ou o Metrorec? Quando fui reclamar do vigilante por não permitir o acesso, tive como resposta um sorriso irônico e a frase “vão reclamar com a CBTU”. Será que adianta?
Semanas atrás vi uma cena que me revoltou e aos demais passageiros. Uma mãe estava com um filho cadeirante para ir a AACD – Estação Joana Bezerra – e como sempre o elevador quebrado. Sem saber como descer com o filho – as estações do Metrorec não têm nenhum beneficiamento que sirva aos portadores de necessidades especiais – a não ser o elevador, quando funciona. Esta mãe tentava saber o que fazer para descer, quando apareceu um vigilante da terceirizada e disse que iria procurar um funcionário do metro pra ajuda-la.
Quem já usou o metro de São Paulo vê a diferença. A Companhia do Metropolitano de São Paulo, empresa que administra o metro paulistano, tem uma equipe de funcionários para atendimento aos passageiros. Não são vigilantes, são funcionários, treinados para simplesmente servir a quem está pagando seu salário.
Aonde foi que erramos? Será que o erro é nosso mesmo? Pergunto de novo. Onde está a Lei da Acessibilidade? As estações não tem sequer WC. Quanto mais dispositivos de acessibilidade.
Será que a solução encontrada de nos deixar a margem, foi esta? Proibir-nos o direito constitucional de ir e vir. Se não tem como nos locomovermos, ficaremos presos em casa, não poderemos trabalhar e estudar, enfim, ter o direito de simplesmente viver. Não existiremos e não atrapalharemos a sociedade civil perfeita. Será que a CBTU e o Metrorec desejam aplicar a nós o que já foi Infelizmente tentado no passado e não deu certo. “A SOLUÇÃO FINAL”.
Nota:
O blog pede desculpas pela comparação, em alguns casos temos que ir fundo na ferida para ver se alguém tenta trata-la. Algumas feridas não cicatrizam jamais.
Pedimos desculpas aos leitores do blog pelo desabafo saindo um pouco da nossa proposta, que é tratar de temas relacionados à acessibilidade. No entanto existem situações em quer não devemos deixar de fazer o registro para quer não se torne um fato comum. Como dizemos acima, se não nos posicionarmos, algumas feridas ficaram expostas para sempre.
Infelizmente não existe em nenhum momento o respeito pelos direitos adquiridos com a lei da acessibilidade . É triste ver pessoas deficientes, grávidas, idosos, se dirigirem para o local de partida normal do metrô em vez de ficar no outro lado e ter o acesso em primeiro lugar. Vivemos num país onde leis e educação não tem mais vez. Fico me perguntando sempre: AONDE VAMOS PARAR?
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